“O Brasil nos recebeu de braços abertos”, diz família de venezuelanos que moram em Salto

Uma família que mora em Salto há seis anos relembra os momentos difíceis para deixar a Venezuela. José Francisco Figueiredo, 52 anos, foi quem teve a iniciativa de deixar o país liderado por Nicolás Maduro. Acompanhado de sua esposa Areles, filhos Francesca, Carlos e Francisco, o patriarca que trabalhava como soldador e montador de estruturas metálicas, relembra que no final de janeiro de 2019, ele e sua família, percorreram muitos quilômetros a pé para atravessarem a fronteira do Brasil e deixar o país. Era uma tarefa difícil. A fiscalização de ambos os países são bem rigorosas, mas era tudo ou nada. A decisão de deixar a Venezuela já é conhecida por todos: crise financeira, falta de trabalho, alimentos e saúde precária. O percurso até Pacaraima, Roraima, contou com a solidariedade de pessoas que lhes deram carona. Francisco relembra que ele e sua família tiveram que dormir na Rodoviária em uma estrutura montada e oferecida pelo Governo Brasileiro para abrigar os imigrantes. Os venezuelanos contaram com a solidariedade de uma aldeia indígena para continuar a peregrinação. Sem saber para onde ir, Francisco conheceu um fotógrafo que mora em São Paulo. Conversa vai, conversa vem, o brasileiro comentou sobre a cidade de Salto. O venezuelano não pensou muito. Algumas pessoas viram que a família necessitava de ajuda, pois dentre eles, uma criança que havia nascido com microcefalia, neto de Francisco, nasceu com microcefalia e precisava de cuidados especiais. Cuidados esses que a criança não receberia na Venezuela. Afinal, os hospitais e os medicamentos são escassos. Ao chegarem em Salto, no dia 02 de fevereiro de 2019, os imigrantes se instalaram em uma casa alugada no Jardim Elizabeth e foram recebidos pelos voluntários da Aliança da Misericórdia – movimento eclesial católico fundado em São Paulo (2000) para ser uma ponte de amor misericordioso entre pobres e ricos, evangelizando e promovendo a dignidade humana. Em solo brasileiro as coisas não foram tão fáceis: idioma, cultura, documentação necessária para poder trabalhar. Os desafios fazem parte da vida, mas mesmo assim, os venezuelanos não desistiram. Aos poucos as coisas se ajeitaram. Francisco, sua esposa e filhos arrumaram trabalho. Com o passar dos tempos, os filhos se casaram, constituíram suas famílias. Orgulhoso, José diz que o Brasil acolheu ele e sua família. Por outro lado, ao ser questionado sobre a prisão do ditador Nicolás Maduro, ele explica que muitas coisas não vão mudar na Venezuela como parece. O país, mesmo rico em petróleo, enfrenta crises estruturais. Ele cita como exemplo, um compadre que mora por lá. O homem precisa fazer uma cirurgia nos olhos e os médicos pediram $ 800 dólares para fazerem o procedimento. Ou seja, $ 1 dólar equivale a $ 300 bolívares venezuelano. Para o amigo fazer a cirurgia ele terá que trabalhar a vida toda ou vender sua casa e mesmo assim, não conseguirá o valor necessário. Em grande parte da Venezuela a moeda corrente é o dólar por conta de ter um valor melhor de mercado: o país é visitado por muitos turistas. Enfim… José está na torcida para que seu país saia da crise e que os conterrâneos vivam bem.






