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“Eu não sou fotogênica.” Será mesmo?

 “Eu não sou fotogênica.” Será mesmo?

Se eu pudesse escolher uma das frases que mais escuto antes de começar um ensaio fotográfico, provavelmente seria esta:

“Eu não sou fotogênica.”

Ela costuma vir acompanhada de outras:

“Eu nunca sei o que fazer com as mãos.”

“Não sei sorrir para foto.”

“Sempre fico estranha.”

“Meu marido odeia tirar fotos.”

Depois de anos fotografando pessoas e famílias, percebi uma coisa: na maioria das vezes, o problema não é ser ou não ser fotogênico.

O problema é muito mais simples: não saber o que fazer quando uma câmera é apontada para você.

E isso é absolutamente normal.

Quem não trabalha diante das câmeras não precisa saber qual é o melhor ângulo, onde colocar as mãos, como posicionar o corpo, para onde olhar ou qual expressão fazer.

Esse é o trabalho do fotógrafo.

O que significa ser fotogênica?

Muita gente acredita que algumas pessoas simplesmente “nascem fotogênicas” e outras não. Mas uma boa fotografia depende de vários elementos que vão muito além da aparência de quem está diante da câmera.

Luz, ângulo, enquadramento, postura, expressão, direção e, principalmente, o quanto aquela pessoa se sente confortável no momento da foto influenciam diretamente o resultado.

É por isso que alguém pode não gostar de si em fotografias casuais e, ainda assim, se surpreender ao participar de um ensaio bem conduzido.

Não se trata de mudar quem está sendo fotografado. Trata-se de saber observar e dirigir.

Uma boa fotografia começa antes do clique

Quando fotografamos uma pessoa, pequenas mudanças podem fazer uma diferença enorme.

A posição do rosto em relação à luz. A maneira como o corpo está direcionado. A altura da câmera. O enquadramento. A postura.

Até a posição das mãos pode deixar uma imagem mais natural ou transmitir desconforto.

Por isso, a direção é uma parte tão importante de um ensaio fotográfico.

No Estúdio Malice, em Itu, essa condução faz parte da experiência: quem chega para ser fotografado não precisa trazer um repertório de poses. Meu papel é orientar mãos, postura e olhar de maneira leve, respeitando cada pessoa e cada família.

Mas existe outro elemento que considero ainda mais importante:

fazer a pessoa esquecer, por alguns instantes, que está sendo fotografada.

É aí que as expressões começam a mudar.

O sorriso deixa de ser aquele “sorriso para foto”.

Os ombros relaxam.

As mãos encontram naturalmente um lugar.

E a pessoa começa a aparecer de verdade.

Você não precisa saber posar para fazer um ensaio fotográfico

Essa talvez seja uma das dúvidas mais comuns de quem nunca fez um ensaio profissional: “Mas e se eu não souber posar?”

A resposta é simples: você não precisa saber.

Um fotógrafo que trabalha com direção deve conseguir perceber o corpo, a luz e a expressão de quem está diante da câmera e oferecer orientações ao longo da sessão.

Isso vale para um retrato individual, para um ensaio de gestante e também para um ensaio de família.

A direção não precisa significar uma sequência de poses rígidas. Muitas vezes, ela aparece em orientações muito pequenas: virar um pouco o rosto, aproximar duas pessoas, olhar para alguém em vez de olhar para a câmera ou simplesmente iniciar uma conversa.

A intenção é criar condições para que a fotografia aconteça sem exigir que a pessoa saiba “atuar” diante da lente.

Nem toda fotografia precisa ter alguém olhando para a câmera

Talvez essa seja uma das maiores diferenças entre uma fotografia simplesmente posada e uma fotografia capaz de transmitir alguma coisa.

Em um ensaio de família, por exemplo, eu posso pedir que uma mãe olhe para o filho em vez de olhar para mim.

Posso pedir que uma criança conte alguma coisa no ouvido do pai.

Posso deixar irmãos brincarem.

Posso esperar alguns segundos depois de uma pose, justamente porque, muitas vezes, a melhor fotografia acontece quando a pessoa acha que a foto já terminou.

É naquele instante que pode surgir uma gargalhada verdadeira.

Um olhar.

Um carinho.

Uma expressão que dificilmente conseguiríamos reproduzir se tentássemos.

É também por isso que, nos ensaios de família do Estúdio Malice, a proposta não é fazer com que todos passem o tempo inteiro olhando para a câmera. Há espaço para brincadeira, colo, movimento e interação — porque essas relações também contam a história daquela família.

“Meu marido não gosta de tirar fotos.” E agora?

Essa frase quase merece um capítulo próprio.

Muitas famílias chegam ao ensaio com alguém que avisa antecipadamente que “não gosta de foto”. Às vezes é o pai, às vezes é a mãe, às vezes são os dois.

Na prática, muitas dessas pessoas não desgostam necessariamente de fotografias. Elas apenas não gostam da sensação de precisar posar, sorrir sob comando ou descobrir sozinhas o que fazer diante de uma câmera.

Quando o ensaio vira interação em vez de performance, a experiência muda.

Em vez de pedir apenas “olhe para a câmera e sorria”, podemos criar situações em que a pessoa olha para quem ama, conversa, abraça, brinca ou simplesmente permanece ali.

A fotografia deixa de ser uma obrigação e passa a ser consequência daquele encontro.

Um bom retrato não deveria fazer você parecer outra pessoa

Existe uma diferença importante entre fotografar alguém de maneira cuidadosa e tentar transformá-lo em uma pessoa que não existe.

Uma fotografia bonita não deveria apagar características, fabricar expressões ou criar uma versão irreconhecível de quem está diante da câmera.

Deveria fazer exatamente o contrário.

Deveria encontrar a melhor maneira de mostrar quem está ali.

Luz, composição e direção existem para favorecer o retrato — não para retirar sua identidade.

É essa ideia que orienta meu trabalho como fotógrafa e fundadora do Estúdio Malice, em Itu, onde fotografo gestantes, recém-nascidos e famílias de Itu e também de cidades da região, como Salto, Sorocaba, Indaiatuba e Porto Feliz.

Talvez você não precise aprender a ser fotogênica

Talvez você precise apenas estar diante de uma câmera conduzida por alguém que saiba enxergar você.

Quando alguém chega ao meu estúdio dizendo:

“Maria Alice, já vou avisando que eu não sou fotogênica…”

Eu não espero que ela saiba posar.

Não espero que saiba onde colocar as mãos.

Muito menos que chegue sabendo exatamente o que fazer.

Essa responsabilidade é minha.

E é muito comum, no final do ensaio, ouvir justamente dessa pessoa:

“Nossa… nem parece que sou eu!”

E talvez aí esteja uma das partes mais bonitas do meu trabalho.

Não é fazer alguém parecer outra pessoa.

É fazer com que ela consiga enxergar, em uma fotografia, uma beleza que muitas vezes já estava ali — ela apenas ainda não tinha visto.

Afinal, existe pessoa que “não é fotogênica”?

Talvez seja mais útil trocar essa pergunta por outra: essa pessoa já foi fotografada em condições que permitissem que ela se sentisse confortável e bem direcionada?

Nem toda foto vai agradar. Nem todo ângulo funciona da mesma maneira para todo mundo. E ninguém precisa estar naturalmente à vontade diante de uma câmera.

Um ensaio profissional existe justamente para que você não precise resolver tudo isso sozinha.

Você não precisa treinar poses antes. Não precisa descobrir seu “melhor lado” no espelho. E não precisa saber sorrir para a câmera.

Precisa apenas encontrar um processo em que exista direção, atenção e espaço suficiente para você deixar de pensar na fotografia o tempo inteiro.

Porque, muitas vezes, é justamente quando esquecemos a câmera que começamos a aparecer de verdade.

Maria Alice Mazzucco
Fotógrafa e fundadora do Estúdio Malice Fotografia, em Itu (SP), especializada em ensaios de gestantes, newborn e famílias. Conheça o trabalho do Estúdio Malice.

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    Malice Mazzucco

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