Quem é o fotógrafo da sua família?
Existe uma pergunta simples, mas capaz de revelar muito sobre as memórias de uma família:
Quem é o fotógrafo da sua casa?

Em quase todas as famílias existe alguém que assume esse papel naturalmente.
É quem pega o celular durante o almoço de domingo, registra os aniversários, fotografa as viagens e grava as crianças brincando. É a pessoa que percebe os pequenos momentos e tenta guardá-los antes que passem.
Mas há um detalhe que quase ninguém percebe: justamente quem mais registra costuma ser quem menos aparece nas lembranças.
Quem fotografa também faz parte da história
Abra o álbum do seu celular por alguns instantes.
Provavelmente, você encontrará dezenas de fotos dos filhos, do companheiro, dos pais, dos amigos e dos encontros em família.
Mas quantas fotografias existem de você?
Não apenas selfies rápidas diante do espelho, mas imagens em que você realmente aparece vivendo aquele momento: abraçando quem ama, rindo sem perceber que está sendo fotografada, brincando com os filhos ou olhando para eles com um carinho que nenhuma pose conseguiria reproduzir.
Muitas vezes, quem está atrás da câmera acredita que o mais importante é registrar os outros. No entanto, a sua presença também faz parte da história.
Você não é apenas quem guarda as memórias da família. Você também é parte delas.
As fotografias não pertencem apenas ao presente

Hoje, talvez essas imagens pareçam simples.
Com o passar dos anos, porém, elas ganham outro significado.
Um dia, essas fotografias não serão importantes apenas para você. Serão importantes para os seus filhos, para os seus netos e para todas as pessoas que quiserem se lembrar de como era estar ao seu lado.
Quando crescerem, os filhos provavelmente não vão querer saber se a casa estava perfeitamente organizada, se a roupa estava impecável ou se a maquiagem estava pronta.
Eles vão querer lembrar de você.
Do seu sorriso.
Do seu abraço.
Da forma como você os segurava.
Do jeito como olhava para eles.
As fotografias ajudam a contar histórias que o tempo pode tornar menos nítidas. Elas mostram não apenas como as pessoas eram, mas como se relacionavam, demonstravam afeto e compartilhavam a vida.
Fotografar é preservar vínculos
A fotografia tem o poder de guardar muito mais do que rostos.
Ela preserva relações.
Uma imagem pode registrar a cumplicidade de um casal, a conexão entre pais e filhos, a alegria dos avós, o carinho entre irmãos e a personalidade de uma criança em determinada fase da vida.
Por isso, os registros espontâneos do cotidiano são tão valiosos. Eles mostram a família como ela realmente é: com movimento, afeto, encontros e pequenas cenas que muitas vezes passam despercebidas.
Também é por isso que reservar um momento para um ensaio de família pode ser uma forma especial de garantir que todos apareçam juntos — inclusive quem normalmente está segurando a câmera.
Não é necessário esperar uma grande celebração. A própria convivência já é motivo suficiente para ser fotografada.
Não espere o momento perfeito para aparecer

Da próxima vez que pegar o celular para registrar um momento importante, entregue-o por alguns minutos a outra pessoa.
Peça uma fotografia.
Entre no enquadramento.
Permita-se aparecer na história que está sendo construída.
Não espere a roupa ideal, a casa perfeitamente arrumada ou o dia em que tudo estiver organizado. A vida acontece antes disso.
E são justamente os gestos simples, os abraços inesperados, as brincadeiras e os encontros comuns que costumam se transformar nas lembranças mais preciosas.
Quem ama também merece ser lembrado.
Talvez uma das fotografias mais importantes da sua família seja justamente aquela em que você decidiu sair de trás da câmera e entrar, de verdade, na memória.
Malice
Fotógrafa especialista em gestante, newborn e famílias.
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