Por que ainda não existe um exame preventivo eficaz para o câncer no ovário?

Especialista do Ceunsp explica os desafios do diagnóstico precoce e reforça a importância da atenção aos sinais
O Dia Mundial do Câncer de Ovário, celebrado em 8 de maio, chama atenção para um dos tipos de câncer ginecológico mais silenciosos e de difícil detecção precoce. Diferente do câncer de colo do útero, que conta com métodos bem estabelecidos de prevenção e rastreamento, o câncer de ovário ainda não possui um exame eficaz para a população geral.
Nesse contexto, a preocupação com a incidência da doença no Brasil reforça a importância do debate. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o País deve registrar mais de 8 mil novos casos por ano no triênio 2026-2028, mantendo o câncer de ovário entre as neoplasias mais incidentes na população feminina.
De acordo com a professora Daiana Zupirolli, do curso de Medicina do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp), hoje não existe um exame de rotina que tenha demonstrado reduzir de forma comprovada a mortalidade por câncer de ovário em mulheres sem sintomas e sem alto risco. Por isso, o rastreamento não é recomendado pelas principais referências utilizadas no Brasil.
Entre os métodos mais conhecidos estão a ultrassonografia transvaginal e o exame de sangue CA-125. Mas ambos apresentam limitações importantes. Esses exames podem indicar alterações mesmo em condições benignas, como cistos ovarianos ou endometriose, além de não identificarem, em alguns casos, tumores em estágio inicial.
“Na prática, isso gera muitos falsos positivos, que levam à ansiedade, repetição de exames e até cirurgias desnecessárias, sem impacto real na redução de mortes”, destaca a especialista.
Outro desafio está no comportamento da doença, que costuma ser silenciosa. Os sintomas iniciais são inespecíficos e facilmente confundidos com questões comuns do dia a dia, principalmente gastrointestinais, o que contribui para o diagnóstico tardio. A doença muitas vezes só apresenta sinais mais evidentes em fases mais avançadas, o que dificulta a detecção precoce.
Ainda assim, a docente de Medicina do Ceunsp explica que alguns sintomas devem servir de alerta, especialmente quando persistentes ou progressivos, como distensão
abdominal, dor pélvica, sensação de saciedade precoce, alterações no hábito intestinal ou urinário e perda de peso sem causa aparente. “É importante observar a frequência e a persistência desses sinais, principalmente após a menopausa”, orienta.
A atenção também deve ser redobrada em mulheres com histórico familiar de câncer de ovário, mama, endométrio ou cólon, além daquelas com mutações genéticas como BRCA1 e BRCA2, que elevam o risco ao longo da vida. Nesses casos, o acompanhamento deve ser individualizado, considerando o perfil e os fatores de risco de cada paciente.
“Mesmo sem um exame preventivo específico, o acompanhamento ginecológico regular é fundamental. As consultas permitem identificar sinais suspeitos, revisar o histórico familiar e definir quando investigar. O mais importante hoje é não ignorar sintomas persistentes e manter o cuidado contínuo com a saúde”, finaliza a médica.
Sobre o Ceunsp – Com mais de 60 anos de tradição e dois campi – Itu e Salto –, o Ceunsp é reconhecido por seu ensino de qualidade, com ótimos indicadores comprovados pelo MEC, Enade e Guia da Faculdade, sendo considerado um dos maiores complexos educacionais da região. Oferece cursos de graduação e pós-graduação em diversas áreas do conhecimento. Em 2024, o Ceunsp passou a oferecer o curso de Medicina. A instituição pertence ao grupo Cruzeiro do Sul Educacional, um dos mais representativos do País, que reúne instituições academicamente relevantes e marcas reconhecidas em seus respectivos mercados. Visite: www.ceunsp.edu.br.







