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“Não estou me sentindo bonita para fazer fotos da gestação”: por que você pode pensar diferente no futuro

 “Não estou me sentindo bonita para fazer fotos da gestação”: por que você pode pensar diferente no futuro

“Não estou me sentindo bonita para fazer fotos da gestação.”

Essa é uma frase que muitas mulheres dizem durante a gravidez.

O corpo mudou. A barriga cresceu. O rosto pode estar mais inchado. As roupas já não vestem como antes. Talvez o cansaço esteja maior e a imagem que você vê no espelho seja bem diferente daquela com a qual estava acostumada.

E então surge o pensamento:

“Acho que não quero fazer fotos assim.”

Como fotógrafa de gestantes, já ouvi isso muitas vezes.

E existe algo que eu gostaria que toda mulher soubesse: talvez você não consiga enxergar hoje a beleza que vai enxergar nessas fotografias daqui a alguns anos.

Porque, quando o tempo passa, nosso olhar também muda.

No futuro, talvez você enxergue outra coisa nessa fotografia

É provável que, daqui a alguns anos, você não olhe para uma fotografia da sua gravidez procurando um quilinho a mais, o inchaço ou qualquer outra insegurança que parecia tão importante naquele momento.

Você vai olhar para a barriga e pensar:

“Meu filho estava ali.”

Talvez tente se lembrar de como eram os movimentos dele.

De como era dormir com aquela barriga.

Da ansiedade para conhecer seu rostinho.

Das conversas sobre nomes, dos planos, das expectativas e de como você imaginava que seria a vida depois que ele chegasse.

A gestação é uma fase intensa, cheia de transformações físicas e emocionais, mas também surpreendentemente curta.

São apenas alguns meses dentro de uma vida inteira.

Depois que o bebê nasce, aquela barriga que fez parte da rotina durante tanto tempo deixa de existir — e começa uma nova fase da história.

Ensaio de gestante não é sobre ter um corpo perfeito

Um ensaio de gestante não deveria ser sobre corresponder a um padrão de beleza.

Muito menos sobre saber posar ou ser “fotogênica”.

O trabalho do fotógrafo é justamente conduzir a sessão: escolher a luz, orientar os movimentos, observar os ângulos e criar condições para que aquela mulher se reconheça nas imagens de uma maneira bonita, delicada e verdadeira.

Você não precisa chegar ao ensaio sabendo o que fazer diante da câmera.

No Estúdio Malice, em Itu (SP), por exemplo, a direção acontece de forma leve durante a sessão. O ensaio gestante pode ser realizado em estúdio, em ambiente externo com luz natural ou até em casa, de acordo com aquilo que fizer mais sentido para cada história.

Mas existe algo que nenhuma técnica fotográfica consegue recriar depois:

aquele momento específico da sua vida.

Qual é a melhor época para fazer fotos da gestação?

Para quem deseja registrar essa fase, uma dúvida comum é quando fazer o ensaio.

Em geral, o período entre a 28ª e a 34ª semana de gestação é uma boa janela: a barriga já está bastante evidente e, ao mesmo tempo, muitas gestantes ainda conseguem se movimentar com conforto durante as fotografias. O ideal é começar a organizar a sessão por volta do sexto mês.

Mais importante do que seguir uma regra rígida, porém, é considerar como a gestante está se sentindo e respeitar as particularidades de cada gravidez.

O ensaio também não precisa ser exclusivamente individual. Dependendo da proposta, podem participar o companheiro ou companheira, filhos mais velhos e até os pets, transformando o registro da espera em parte da história de toda a família.

Talvez você esteja olhando para o seu corpo. Depois, olhará para a sua história

Hoje, talvez você esteja prestando atenção principalmente nas mudanças do seu corpo.

Daqui a alguns anos, é possível que esteja olhando para algo completamente diferente.

Talvez veja naquela imagem o primeiro retrato de vocês dois juntos.

Antes do primeiro colo.

Antes do primeiro beijo.

Antes das noites em claro, das descobertas, dos primeiros sorrisos e até mesmo antes de conhecer o rostinho daquele bebê.

É justamente por isso que fotografias de gestação ganham outro significado conforme o tempo passa.

Elas deixam de ser apenas imagens de como uma mulher estava durante a gravidez e passam a funcionar como registros de uma fase que não pode ser repetida.

“Mas eu realmente não estou me sentindo bonita. Ainda vale a pena fotografar?”

Sim — desde que você tenha vontade de guardar essa memória.

Você não precisa esperar se sentir perfeita para existir em uma fotografia importante da sua própria história.

Também não precisa fingir que ama todas as mudanças da gravidez. É possível reconhecer desconfortos, cansaço e inseguranças e, ainda assim, compreender que aquele período merece ser lembrado.

Uma fotografia significativa não depende de perfeição.

Depende de verdade, cuidado e tempo.

Maria Alice, fundadora do Estúdio Malice Fotografia, trabalha há oito anos com fotografia de gestantes, recém-nascidos e famílias em Itu e região. Sua proposta parte justamente da ideia de que a fotografia não precisa exigir que alguém “saiba posar”, mas permitir que cada pessoa se reconheça naquele registro.

A fotografia que hoje causa insegurança pode se tornar uma das mais importantes

Se algum dia você pensar que não está bonita o suficiente para registrar sua gestação, talvez valha fazer outra pergunta:

Do que você quer se lembrar amanhã?

Você não estará fotografando apenas como o seu corpo estava naquele momento.

Estará guardando a história de quando seu filho ainda morava dentro de você.

E talvez, com o passar dos anos, justamente aquela fotografia que você quase não fez se transforme em uma das imagens mais bonitas da sua história.

Maria Alice Mazzucco
Fotógrafa especializada em gestantes, newborn e famílias e fundadora do Estúdio Malice, em Itu (SP).

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    Malice Mazzucco

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