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Suas fotos estão no celular. Mas estarão lá daqui a 20 anos?

Pare por alguns segundos e pense:

Quantas fotografias você tem no celular hoje?

Mil? Cinco mil? Vinte mil?

Nunca fotografamos tanto quanto agora. Registramos o primeiro dia de aula, aniversários, viagens, domingos em família, os primeiros passos do bebê, uma tarde qualquer na casa dos avós.

Está tudo ali.

Ou, pelo menos, acreditamos que esteja.

Trocamos de celular, perdemos senhas, esquecemos onde fizemos o backup, acumulamos milhares de arquivos na nuvem e, aos poucos, alguns dos momentos mais importantes da nossa história ficam perdidos no meio de prints, documentos e fotografias que talvez nunca mais sejam abertas.

Existe uma diferença enorme entre tirar uma fotografia e preservar uma memória.

Fotografar ficou mais fácil. Encontrar essas memórias no futuro, nem sempre.

Quando eu era criança, fotografávamos muito menos.

Um filme tinha 24 ou 36 poses, e cada clique costumava ser mais pensado. Depois, as fotografias eram reveladas, organizadas e colocadas em álbuns.

E havia um ritual bonito nisso.

Sentar no sofá, abrir um álbum e passar as páginas.

Perguntar:

“Quem é essa?”

“Onde foi isso?”

“Eu era desse tamanho?”

E então começavam as histórias.

As fotografias não eram apenas imagens. Eram pontos de partida para lembrar pessoas, lugares, fases da vida e histórias que talvez nunca tivessem sido contadas de outra forma.

Temos milhares de fotos, mas nossos filhos conseguirão encontrá-las?

Talvez esse seja um dos paradoxos da era digital.

Temos mais fotografias do que qualquer geração anterior, mas grande parte delas permanece invisível durante anos, guardada em aparelhos, pastas e serviços digitais.

E a pergunta importante não é apenas quantas imagens fazemos hoje.

É: quais delas continuarão acessíveis quando nossos filhos forem adultos?

Uma fotografia pode ter um valor completamente diferente daqui a 10, 20 ou 30 anos.

A imagem de um bebê no colo pode parecer cotidiana agora. No futuro, poderá mostrar o tamanho das suas mãos, o jeito como dormia ou a forma como cabia entre os braços dos pais.

Uma fotografia de família feita em uma tarde comum pode se tornar um dos poucos registros de uma determinada fase da vida.

Por isso, além de fotografar, vale pensar em como essas imagens serão preservadas.

Como preservar fotografias de família para o futuro?

Não é necessário imprimir todas as milhares de imagens do celular.

Na verdade, fazer uma seleção pode tornar essas memórias ainda mais significativas.

Escolha, todos os anos, algumas fotografias que realmente contem a história da sua família.

Revele algumas delas.

Monte um álbum.

Coloque uma fotografia em um porta-retrato.

Crie uma caixa de memórias.

Organize também seus arquivos digitais e mantenha cópias das imagens mais importantes em locais diferentes.

O objetivo não é acumular mais coisas, mas garantir que aquilo que realmente importa não desapareça no meio de milhares de arquivos.

Fotografias impressas também fazem parte da memória da casa

Uma fotografia impressa tem uma característica muito especial: ela continua presente mesmo quando ninguém se lembra de procurá-la.

Ela fica na estante.

Na parede.

Dentro de um álbum.

Pode ser encontrada por acaso.

E, de repente, muitos anos depois, alguém abre aquele álbum ou encontra aquela fotografia guardada.

Talvez seja seu filho.

Talvez seja seu neto.

E aquela imagem que hoje parece apenas mais uma fotografia poderá se transformar no começo de uma conversa sobre quem vocês eram, onde estavam, como viviam e o que fazia parte da rotina da família naquele momento.

É também por isso que registros como um ensaio de família, um ensaio gestante ou um ensaio newborn podem ganhar um significado ainda maior com o passar dos anos.

Hoje, vemos uma fotografia.

No futuro, talvez vejamos nela uma fase inteira da vida.

No Estúdio Malice Fotografia, em Itu, esse é um dos sentidos de fotografar famílias: criar registros que façam sentido agora, mas que também possam atravessar o tempo e ajudar a preservar histórias.

A pergunta que acompanha esse olhar é simples:

“Do que você quer se lembrar amanhã?”

Porque fotografar é registrar o presente.

Preservar é garantir que ele consiga chegar ao futuro.

Maria Alice Mazzucco
Fotógrafa especializada em gestantes, newborn e famílias, fundadora do Estúdio Malice Fotografia, em Itu (SP).

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    Malice Mazzucco

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