Hepatites virais podem evoluir sem sintomas

Especialista do Ceunsp explica que doenças podem permanecer anos sem sintomas e só serem identificadas quando já há comprometimento do fígado; vacinação, testagem e prevenção são fundamentais
No dia 28 de julho, Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, a importância da conscientização sobre o diagnóstico precoce dessas doenças volta ao debate, já que elas podem evoluir de forma silenciosa e permitir que muitas pessoas convivam com a infecção durante anos sem perceber alterações no organismo. A realização de testes, a prevenção e o acompanhamento médico são fundamentais para evitar complicações mais graves.
Segundo Marcus Milani, professor do curso de Medicina do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp), as hepatites virais são consideradas doenças silenciosas porque, na maioria dos casos, não provocam sintomas nas fases iniciais. Dessa forma, a pessoa pode permanecer infectada por anos ou até décadas sem perceber alterações em sua saúde.
“O fígado possui uma grande capacidade de funcionamento e regeneração, o que faz com que os sinais da doença geralmente apareçam apenas quando já existe um comprometimento mais importante do órgão. Muitas vezes, o diagnóstico ocorre durante exames de rotina ou quando surgem complicações como cirrose, insuficiência hepática ou câncer de fígado”, explica o docente.
As principais hepatites virais são classificadas como A, B, C, D e E, com diferenças relacionadas às formas de transmissão, evolução e tratamento. A hepatite A é transmitida principalmente por água ou alimentos contaminados e, na maioria dos casos, apresenta evolução aguda, com recuperação completa. Já as hepatites B e C podem se tornar crônicas e causar danos progressivos ao fígado.
O professor explica que a hepatite B pode ser transmitida pelo contato com sangue, relações sexuais sem proteção e da mãe para o bebê durante a gestação ou parto. Já a hepatite C ocorre principalmente pelo contato com sangue contaminado e atualmente possui tratamentos com altas taxas de cura.
Entre os principais fatores de risco estão relações sexuais sem preservativo, compartilhamento de agulhas e seringas, contato com sangue contaminado e procedimentos realizados sem a adequada esterilização dos materiais. O especialista ressalta que algumas situações comuns podem passar despercebidas, como o compartilhamento de alicates de unha, lâminas de barbear, escovas de dente ou
instrumentos utilizados em procedimentos estéticos sem garantia de higiene adequada.
A testagem é uma das principais estratégias para identificar a infecção precocemente. Toda pessoa adulta deve realizar pelo menos uma vez na vida os testes para hepatites B e C, principalmente. São exames simples, rápidos e disponíveis na rede pública de saúde. “Pessoas com fatores de risco, como profissionais da saúde, indivíduos com múltiplos parceiros sexuais, usuários de drogas injetáveis, pessoas que receberam transfusões antigas ou que realizaram procedimentos invasivos em condições inadequadas, devem conversar com um profissional de saúde para avaliar a necessidade de acompanhamento periódico”, orienta.
A prevenção envolve medidas como vacinação contra as hepatites A (duas doses) e B (três doses), utilizar preservativos nas relações sexuais, não compartilhar objetos pessoais que possam entrar em contato com sangue e procurar estabelecimentos que sigam normas adequadas de higiene para tatuagens, piercings e procedimentos estéticos. Quando não diagnosticadas e não tratadas adequadamente, alguns casos podem provocar inflamação crônica do fígado e evoluir para complicações como fibrose, cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado. Em situações mais graves, o paciente pode precisar de transplante hepático.
O combate à desinformação também é fundamental para ampliar o diagnóstico e reduzir o preconceito relacionado às hepatites virais. Muitas pessoas deixam de buscar atendimento por desconhecerem os riscos ou por acreditarem que a ausência de sintomas significa que não há infecção.
Atualmente, existem ferramentas eficazes para prevenção e tratamento, como as vacinas contra a doença e, por isso, a realização de exames, o acompanhamento médico e a adoção de medidas preventivas são essenciais para identificar a doença precocemente, preservar a saúde do fígado e evitar complicações ao longo da vida.
Sobre o Ceunsp – Com mais de 60 anos de tradição e dois campi – Itu e Salto –, o Ceunsp é reconhecido por seu ensino de qualidade, com ótimos indicadores comprovados pelo MEC, Enade e Guia da Faculdade, sendo considerado um dos maiores complexos educacionais da região. Oferece cursos de graduação e pós-graduação em diversas áreas do conhecimento. Em 2024, o Ceunsp passou a oferecer o curso de Medicina. A instituição pertence ao grupo Cruzeiro do Sul Educacional, um dos mais representativos do País, que reúne instituições academicamente relevantes e marcas reconhecidas em seus respectivos mercados. Visite: www.ceunsp.edu.br.
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